Enquanto o time profissional vive seus dias mais difíceis na Série B, um setor do Goiás segue entregando alegria em dose dupla: a base. Em julho, o Verdão levantou o troféu do Campeonato Brasileiro Sub-20 da Série B, ao empatar em 1 a 1 com o Ceará no tempo normal, no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza, e vencer por 11 a 10 em uma disputa de pênaltis histórica. Foi o tipo de título que não aparece por acaso — é resultado de um trabalho que atravessa gestões, crises e rebaixamentos.
A final contra o Ceará foi um resumo do que a base esmeraldina se tornou: um time competitivo, tecnicamente organizado e, acima de tudo, mentalmente forte. Disputar 21 cobranças de pênalti sem fraquejar não é detalhe. É sinal de que os garotos chegam preparados não apenas para jogar, mas para suportar a pressão que o profissional exige.
Não é a primeira vez que a base do Goiás entrega resultados nacionais em um momento de dificuldade do time principal. A tradição esmeraldina em revelar jogadores é antiga: Fernandão, maior ídolo da história recente do clube, nasceu nas categorias de base da Serrinha. Ao longo das décadas, o Verdão abasteceu o futebol brasileiro com atletas formados em Goiânia, muitos vendidos para clubes maiores do país e do exterior — receita que, mais de uma vez, equilibrou as contas do clube.
O título Sub-20 também tem um efeito prático imediato: coloca os garotos na vitrine. Auxiliares de seleções de base acompanham a competição de perto, e o desempenho esmeraldino não passou despercebido. Para um clube que vive de formar e negociar, cada troféu nacional valoriza o elenco e abre portas para negociações futuras.
Para o torcedor que hoje sofre com a campanha irregular na Série B, a base é também uma resposta de longo prazo. Clubes que se mantêm fortes no cenário nacional raramente são os que apenas compram jogadores prontos — são os que formam. O Goiás tem na formação de atletas um diferencial real diante de concorrentes diretos, e o título sobre o Ceará é a prova mais recente disso.
O desafio agora é interno: transformar promessa em realidade. De nada adianta ganhar título na base se os garotos não encontrarem espaço no profissional, com paciência, planejamento e oportunidades de verdade. A torcida esmeraldina já fez sua parte — abraçou a base, celebrou o título e acompanha os nomes de perto. Cabe ao clube fazer a ponte entre a Serrinha dos garotos e o time que entra em campo nas noites decisivas, como no clássico contra o Vila Nova.
No fim das contas, a mensagem é simples: a crise é do presente, mas o futuro do Goiás segue sendo construído todos os dias nos campos da base. E, por ali, o verde continua forte.


