Todo clube grande tem sua galeria de ídolos — aqueles nomes que a torcida cita sem precisar pensar, como quem fala de família. No Goiás, essa galeria é vasta, espalhada por décadas de conquistas, viradas e tardes mágicas na Serrinha e no Olímpico. Relembrar esses craques é mais do que nostalgia: é entender por que o verde e branco significam tanto para tanta gente.
É impossível começar sem falar de Fernandão. O centroavante, formado na base esmeraldina, virou símbolo de identificação com o clube: raça, gols e liderança dentro e fora de campo. Artilheiro e capitão, carregou o time nos anos 2000, marcou época com seus gols de cabeça e deixou o clube para brilhar no futebol internacional — sem jamais ser esquecido pela torcida que o viu nascer. Sua morte precoce, em 2014, transformou a idolatria em homenagem permanente.
Antes dele, houve Dimba. O atacante foi o rosto do Goiás campeão da Série B de 1999 e um dos maiores artilheiros da história do clube. Veloz, oportunista e dono de uma comemoração que a torcida imitava nos campinhos de Goiânia, Dimba representava o Goiás guerreiro que enfrentava gigantes sem pedir licença.
E como não lembrar de Túlio Maravilha? O artilheiro de mil gols passou pelo Verdão e, mesmo em fases diferentes da carreira, deixou gols e a certeza de que camisa pesada atrai jogador grande. Ao lado dele na memória esmeraldina estão nomes como Paulo Nunes, cuja velocidade pelos lados aterrorizava defesas, e Renan, o goleiro símbolo de uma geração vitoriosa.
Mauro Machado é outro capítulo à parte. Lateral direito de classe rara, ele vestiu a camisa esmeraldina nos anos 80 e foi peça fundamental das conquistas estaduais da era de ouro, quando o Goiás dominava o futebol goiano e sonhava alto no cenário nacional. Quem viu, jura: cruzamento dele era meio gol.
A lista segue com Wallace, Petkovic — que teve passagem marcante pelo clube —, e tantos outros que, em períodos distintos, fizeram a arquibancada esmeraldina tremer. Há os ídolos de uma década inteira e os ídolos de uma tarde só: o autor de um gol em final, o goleiro de um pênalti defendido, o zagueiro de uma partida imortal.
Lembrar esses nomes não é viver de passado. É medir o tamanho do clube. O Goiás que hoje briga na Série B carrega nas costas a história construída por Fernandão, Dimba, Mauro Machado, Renan, Túlio e companhia — e é essa história que faz cada torcedor acreditar que dias maiores sempre podem voltar. Afinal, quem já teve tantos heróis sabe reconhecer quando um novo está nascendo.



