O técnico Mozart Santos chegou à sala de imprensa da Serrinha com o semblante de quem perdeu o jogo, mas não o argumento. Diante de perguntas sobre a derrota por 1 a 0 para o Fortaleza, ele começou pelo ponto que mudou a tarde: a expulsão de Luiz Felipe aos 13 minutos do primeiro tempo, que obrigou o Goiás a reescrever o plano de jogo quando a partida mal havia começado.
A primeira decisão foi dolorida e imediata. Para recompor a defesa, Mozart tirou o atacante Felipe Clemente e colocou o zagueiro Ramon, mantendo Luizão improvisado na lateral direita. "Você perde poder ofensivo, mas não pode abrir a equipe", resumiu a lógica de quem precisava evitar que o jogo virasse goleada antes do intervalo.
Outro tema recorrente na coletiva foi a ausência de Lucas Lima entre os relacionados para atuar. O treinador explicou que a escolha fez parte do planejamento para o confronto e para a sequência da temporada, sem alimentar especulações sobre qualquer desgaste interno com o meia.
Apesar do resultado, Mozart fez questão de defender a postura do grupo. Na avaliação dele, jogar quase 80 minutos com um a menos e ainda assim criar situações de perigo diz algo sobre a entrega do elenco — um ponto que ele considera inegociável na reta final da competição.
A frase que ficou, porém, foi sobre o futuro. "Temos 36 pontos para disputar", disse o treinador, transformando a matemática da Série B em discurso de confiança. Faltando 12 rodadas, ele insiste que o acesso continua ao alcance de um time que some pontos com constância, algo que o Verdão ainda não conseguiu fazer por muitas rodadas seguidas.
Mozart também pediu apoio da torcida e admitiu que a equipe precisa ser mais eficiente nas partidas em casa, onde deixou escapar pontos considerados fundamentais no planejamento inicial. A Serrinha, lembrou ele, sempre foi um trunfo — e precisa voltar a ser.
O recado final foi para dentro do vestiário: a comissão técnica vai insistir no modelo de jogo, ajustando peças em vez de mudar o conceito. Se a aposta vai dar certo, só as próximas rodadas dirão. O que Mozart deixou claro é que não pretende usar a expulsão como desculpa por mais de uma semana.




