O Goiás chega ao clássico contra o Vila Nova carregando uma verdade incômoda: o time só vai subir se aprender a vencer longe da Serrinha. Bonito ou feio, com posse de bola ou no contra-ataque, o que importa nesta quinta-feira no OBA são os três pontos — e nada menos do que isso.
É injusto reduzir toda a temporada à expulsão de Luiz Felipe, mas também é impossível ignorar o efeito dominó que ela causou. Sem o zagueiro, Mozart terá de remontar a defesa em uma semana curta e, pior, em um jogo onde o adversário conhece cada canto do campo e vai explorar cada erro. A escolha do substituto e a postura tática valem quase tanto quanto o resultado.
O problema maior, porém, não é só a zaga. É o desempenho fora de casa. Na Série B, quem sobe costuma ser o time que tira pontos de qualquer lugar, não só dos rivais em seus domínios. O Goiás, nesta temporada, ainda não mostrou essa regularidade. Empates arrancados debaixo de pressão viraram rotina, e vitórias convincentes fora são raras.
Contra o Vila Nova, o cenário é duplamente difícil. O rival está na parte de cima da tabela, tem o apoio da torcida e vive uma fase de confiança maior do que a do Verdão. Mas é justamente por isso que um resultado positivo esmeraldino teria peso enorme: além dos pontos, traria de volta a autoestima de um elenco que parece ter esquecido como é ganhar quando ninguém espera.
A torcida vai comparecer, como sempre. O setor visitante do OBA será verde e branco, e os gritos vão ecoar mesmo que o time demore a engrenar. O que não pode acontecer é o Goiás entrar em campo com a postura de quem joga por um ponto. Empate fora, nesta altura do campeonato, é quase derrota.
Se há algo que a base campeã do clube ensinou este ano é que time bem treinado e bem organizado vence independentemente da idade. O profissional precisa aplicar a mesma lição agora. O clássico goiano não é apenas mais uma rodada: é a chance de o Verdão mostrar que ainda acredita no acesso — e, mais importante, que sabe como conquistá-lo.


